E no Rio de Janeiro

Nasci e cresci no Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”. É nela que está o Cristo, uma das maravilhas do mundo moderno, é nela que será as Olimpíadas de 2016, é nela que serão jogadas algumas partidas da Copa do Mundo de 2014. Foi nela que os últimos jogos Pan-americanos ocorreram. É no Rio de Janeiro, minha cidade, que está a Praia de Copacabana, que já percorri de ponta a ponta em finais de tarde, sentido o cheirinho do mar, o calor gostoso do fim do dia e saboreando uma refrescante água de coco. Rio de Janeiro…

Pegar o ônibus e atravessar a Av. Presidente Vargas, na saída do Centro impera o Morro da Providência, oficialmente a primeira favela carioca, cravada no coração da cidade. Feia, suja, perigosa. O ônibus avança pela Av. Brasil, que atravessa a cidade – da zona oeste, passa pela norte e chega ao Centro. O cenário dessa parte da cidade pouco lembra a beleza antiga misturada com a modernidade do Centro, pouco remete ao cheiro do mar de Copacabana. Às margens da Brasil, de um extremo ao outro, favelas. Tantas que são denominadas genericamente como “complexos”, do Alemão, da Maré, da PQP (Puta que Pariu, para os leigos). Pichações nos lembram dos donos do território, que marcam os muros tais como os cães. Os cães são lindos e mijam por instinto, os traficantes são miseráveis semi-analfabetos que sujam de porcos que são. ADA, TCP, TC, CV, siglas que nos lembram da falência do Estado brasileiro. O Estado brasileiro, esse mesmo que está de joelhos diante dos semi-analfabetos, porcos e iníquos traficantes.

No Rio de Janeiro, minha cidade, onde nasci e cresci, um helicóptero da polícia foi derrubado nas imediações do Morro dos Macacos. Esse não fica nas margens da Brasil, fica lá pelos lados dos tijucanos. Um traficante semi-analfabeto, burro mesmo, retrato da decadência humana, destreinado, derrubou um helicóptero da polícia, um dos braços armados do Estado brasileiro. Dentro do helicóptero, seis policiais, pais de família, com armas infinitamente inferiores ao do traficante que corajosamente sobrevoavam a favela. Três deles sucumbiram. Enquanto esses três trabalhadores morriam, Eduardo Paes, o prefeito, estava lá pela Europa, Sérgio Cabral, o governador, estava sabe-se lá onde, provavelmente confortável e seguro graças ao dinheiro dos contribuintes. Os deputados estaduais deveriam estar a planejar estratégias para desviar verbas para a próxima campanha ou matutavam sobre leis ineficientes que servem tão-somente para onerar mais ainda trabalhadores como os três policiais e demais cidadão do Rio de Janeiro. Os vereadores deveriam pensar sobre novos nomes de ruas e obras paliativas em seus currais eleitorais para garantir a mamata de futuros próximos quatro anos. Brasília certamente estava às moscas, pois Senadores e deputados só trabalham até quinta-feira, depois pegam seus jatinhos pagos com o Money de nossos impostos e voam para fazendas gigantescas e coberturas milionárias em alguma praia paradisíaca desses trópicos. O presidente deveria estar a degustar alguma cachaça.

Um helicóptero caiu depois de alvejado por um tiro que saiu de alguma arma muito cara que das três, uma: foi desviada de algum Quartel das Forças Armadas, foi desviada de algum paiol da polícia civil ou militar, ou atravessou nossas fronteiras abandonadas pelo poder público. Preparem-se, prezados compatriotas, nos próximos dias uma enxurrada de propostas mirabolantes surgirão com a promessa de acabar com o tráfico. Deputados, senadores, vereadores, presidente, secretários, ministros, juízes do STF, falarão sobre como resolver nosso problemão chamado crime organizado. Prometerão, alardearão, resmungarão, gritarão, só até o povão esquecer e tudo voltar ao caos velado de nosso país, de nossos estados, de nossas cidades… da minha cidade, o Rio de Janeiro.

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    • gabrielle
    • 22 de outubro de 2009

    Cabral tem feito muito pelo rio.É só fazer a comparação entre os governos que vão descobrir a grande diferença!

    • Jisuis
    • 10 de novembro de 2009

    A partir do momento que o governo só é dito ‘bom’, ou ‘fazendo muito’ quando é comparado com os governos anteriores, indica que é tão ruim que só a comparação com os piores faz parecer bom.
    Bons governos são bons, não são ‘melhores que os ruins’.

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