A cerveja da discórdia

Causou rebuliço a proibição da campanha da cerveja Devassa com a modelo-cantora-atriz-patricinha tudo ao mesmo tempo e mais ou menos Paris Hilton. Reinaldo de Azevedo escreveu um texto

muito bom sobre a polêmica que merece ser lido até pelos opositores fiéis do homem.

Ora, até onde vai a alçada de órgãos reguladores e secretarias especiais? Até onde, em termos mais amplos, pode ir o poder estatal no que concerne a regulação de nossas vidas? Ao que podemos ou não ver, consumir, fazer? Sou defensora ferrenha de leis, leis rigorosas, claras e eficientes. A sociedade nunca pôde e jamais poderá se auto-regulamentar, é preciso um Estado, é preciso um poder central forte é preciso um conjunto de leis que deve ser respeitado por todos. Não fosse o caso os anarquistas e hippies teriam tido sucesso, mas suas teses “libertárias” foram ótimas: para provar seu próprio fracasso.

Uma estrutura estatal eficiente é a única garantia para algo que hippies e anarquistas juraram defender: liberdade. O contrário é uma séria ameaça a mesma coisa. O equilíbrio é tênue, eu sei…

No Brasil ainda parecemos tatear no escuro e a criação de uma montoeira de secretarias especiais denuncia mais insegurança de nosso Estado do que uma preocupação em dar conta de problemas reais, e cito especificamente a questão das mulheres.

Vivemos sim em um país machista, e os altos índices de agressões físicas e morais sofridas pelas mulheres provam isso. São necessárias medidas para contornar esse problema sério? Claro! Estamos indo bem? Não!

No Rio de Janeiro criaram um vagão especial para mulheres em trens e no metrô. Ou seja, em lugar de punir os homens que assediam mulheres no transporte público, a solução genial foi separar as mulheres dos homens. Em lugar de promover programas educacionais para prevenir esse tipo de abuso, simplesmente segregaram. Como se todos os homens fossem tarados em potencial e todas as mulheres invariavelmente estimulassem o “pecado”. A lei foi ofensiva! Como mulher fui contra a criação desses vagões “rosas”, não moro mais no Rio e quando vou até lá raramente pego metrô ou trem, mas pelo visto ou a lei foi revogada ou virou mais uma dentre tantas leis mortas desse país.

Mas o assunto aqui é cerveja…

Reinaldo de Azevedo disse e eu concordo: a propaganda foi de mau gosto estético sim, como todas as propagandas de cerveja, até aí nada de novo no front. Mas mau gosto não é crime, deveria ser, mas não é. Mas não foi por isso que tiraram a campanha do ar, se tivesse sido eu apoiaria. Tiraram porque ela supostamente denegriu a imagem das mulheres pelo seu apelo sexual.

As feministas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres que me perdoem, mas acho que vocês andam perdidas. Se as senhoras estão tão preocupadas com os direitos das mulheres, entendam que as mulheres, assim como os homens, não são categorias rígidas com os mesmo anseios. Vejam, há mulheres que querem ser objeto sexual, cuidem dos direitos delas! Permitam que elas sejam objetos sexuais, que possam exercer livremente seu apelo e despertar fantasias nos homens e mulheres (por que não?) do mundo, sem sofrerem discriminação por isso. Há também mulheres que são e adoram ser workaholics, garantam que seus salários não sejam menores do que os dos homens pelo simples fato de serem mulheres; garantam que elas consigam disputar em termos de igualdade (não privilégio) por promoções e todo tipo de ascensão profissional. Há mulheres que sonham com a carreira acadêmica e a cada dia conquistam mais e mais vagas nas melhores universidades do país e do mundo, isso sem qualquer política de “cota especial para mulheres”. Isso é ótimo, protejam essas conquistas! Mais do que políticas especiais queremos políticas que atendam, igualmente, nossas necessidade e as dos homens. Mais do que políticas especiais, promovam políticas para todos! E não se esqueçam, há mulheres que querem se casar, ter filhos e cuidar da casa, das crianças e do marido. Não há nada de ruim nisso, as donas de casa exercem funções tão dignas quanto qualquer outra mulher honesta e trabalhadora. Protejam os direitos dessas mulheres de cuidarem de suas casas sem serem obrigadas a ouvir que são submissas, que preservam as velhas estruturas da sociedade patriarcal, etc etc… Protejam também os homens que querem cuidar da casa enquanto a mulher trabalha, eles existem e sofrem enormes preconceitos por isso![i]

E falando por mim. Para que eu seja uma mulher completa eu não preciso ser uma super executiva, não preciso ser mãe, não preciso ser uma senhora do lar exemplar, até porque eu não quero ser uma mulher completa! Eu quero ser uma pessoa que busca pelos melhores caminhos a completude. O meu conceito de realização pessoal envolve viver honestamente, trabalhar e conquistar pelos meus méritos e esforços os meus objetivos, sem privilégios, sem políticas especiais por eu ter nascido mulher, pois isso não me torna superior ou inferior aos demais!


[i] Eu conheço um casal assim. O marido cuida das tarefas domésticas e do filho enquanto a esposa trabalha. Já ouvi várias vezes pessoas chamando o homem de explorador! Por que explorador? Essa foi o acordo do casal! Se fosse o contrário a esposa seria taxada de exploradora?

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