OS JOVENS DITADORES

Desde a ocupação da reitoria em 2007 os alunos e funcionário da USP assistem a escalada de manifestações violentas e autoritárias organizadas por grupelhos minoritários que reinvidicam a representação dos estudantes dessa universidade. Esses “alunos profissionais” (expressão utilizada para designar agentes de partidos políticos, grupinhos revolucionários e afins que entram nas universidades com o único fim de impor suas ideologias) unem-se com indivíduos estranhos ao espaço acadêmico e invadem, depredam e violam o patrimônio público. Como se isso não bastasse, ainda agridem e humilham funcionários e estudantes contrários a seus métodos e utopias delirantes (redundância deliberada).

Essa gente impõe violentamente seus princípios duvidosos e, infelizmente, estão conseguindo alcançar seus objetivos. Recentemente conseguiram retirar a polícia do campus, o que aumentou os índices de assaltos e toda sorte de violência dentro da universidade. Se dizem defensores do “espaço livre” dos alunos, mas na verdade forçam a desocupação de espaços administrativos cruciais para o bom funcionamento da universidade e os “ocupam”, eles mesmos, proclamando-se donos de propriedades públicas. Uma verdadeira e absurda invasão! Nas últimas eleições para reitor promoveram um verdadeiro caos que prejudicou o processo eleitoral LEGÍTIMO e forçou que as eleições fossem realizadas na Barra Funda, longe do campus, lugar onde deveria ter ocorrido!

No dia 18 de março de 2010 invadiram o prédio onde funciona o Serviço Social da Coordenadoria de Assistência Social, divisão responsável pela atendimento de alunos e funcionários que necessitam de ajuda especial, e agrediram os funcionários que chegavam para o trabalho. Segue o comunicado enviado pelos trabalhadores agredidos:

COMUNICADO DO SERVIÇO SOCIAL DA COSEAS SOBRE A OCUPAÇÃO DO NOSSO ESPAÇO DE TRABALHO

Os funcionários técnicos e administrativos da Divisão de Promoção Social da Coordenadoria de Assistência Social desta Universidade vêm a público manifestar seu profundo desagrado e o sentimento de desrespeito pelo trabalho que desenvolvem, conforme atestam os acontecimentos relatados a seguir.

Em 18/03/2010, às duas horas da madrugada, a diretoria da Associação dos Moradores do Conjunto Residencial da USP, acompanhada de alunos e não alunos, decidiu ocupar o prédio onde funciona o Serviço Social da Coordenadoria de Assistência Social desta Universidade, órgão responsável pela administração do CRUSP e seleção dos alunos aos diversos benefícios existentes, entre outras atribuições.

A chamada “ocupação pacífica” foi justificada pelo grupo com o seguinte:

– Falta de vagas na moradia

– Atraso da reitoria na conclusão da obra de um novo bloco de residência

– Expulsões arbitrárias de moradores (inclusive de madrugada)

– Fim do programa Bolsa Trabalho

– Irregularidades constatadas nos processos de seleção sócio-econômica da Coseas

– Privatização do espaço de moradia cedida pela USP ao banco Santander

– Terceirização e precarização das condições de trabalho em órgãos administrados pela Coseas

– Política de vigilância e perseguição e violência implementada pela Coseas contra os moradores.

Reivindicações da ocupação

– Mais vagas na moradia e nos alojamentos

– Agilização da conclusão das obras do novo bloco de moradia

– Fim das expulsões arbitrárias de estudantes da moradia

– Fim do serviço de vigilância e da prática de violência irregular da Coseas

– Autonomia dos estudantes no espaço da moradia e nos processos seletivos para os programas de permanência

– Contratação de funcionários e melhoria nas condições desumanas de trabalho e atendimento nos restaurantes da Coseas

(Fonte: Coseas Ocupada – panfleto distribuído na ocasião)

Na manhã dessa quinta-feira, fomos impedidos de entrar em nossas salas para trabalhar e mesmo de retirar objetos e documentos pessoais, sob xingamentos e ameaças.

O trabalho do Serviço Social sempre foi pautado pela possibilidade de participação dos alunos por meio do diálogo, buscando melhorias no entendimento. Os critérios do processo seletivo atual foram discutidos ao longo dos últimos anos.

A invasão nos tirou as ferramentas de trabalho de forma violenta, pois nenhuma ocupação pacífica se dá por arrombamento de portas e impedimento do acesso dos funcionários.

Salientamos que nesse espaço encontram-se documentos sigilosos que se revelados deixam pública a situação social e econômica de todos os que dependem do atendimento do Serviço Social deste campus, quais sejam alunos e trabalhadores docentes e técnico administrativos que participam das diversas seleções (creches, moradia, bolsas etc).

Em relação às reivindicações apresentadas, temos a dizer o seguinte:

– a maioria não pertence à alçada de nosso trabalho e nossa possibilidade de resolução. O que nos compete é o estudo das necessidades e fornecimento de subsídios para que outras instâncias tomem decisões a respeito dos apoios, incluindo a construção de moradias;

– Em relação aos atendimentos aos calouros, neste início de 2010, de todos os alunos pleiteantes aos benefícios do acolhimento, que comprovaram necessidade de apoio, atribuímos, emergencialmente, o seguinte: 180 bolsas alimentação (refeição gratuita nos restaurantes universitários), 74 vagas provisórias no alojamento do Crusp, 65 auxílios moradia (R$300,00 por mês), 30 auxílios transporte (R$ 150,00). A demanda não atendida refere-se a: 37 alunos que não completaram a documentação, 14 que desistiram do curso ou do apoio, 5 que já possuem uma graduação e 13 que estão fora de perfil socioeconômico desse grupo requisitante. Estes dados são somente do campus do Butantã.

– A bolsa trabalho não foi extinta e sim substituída pelo Programa “Aprender com Cultura e Extensão” da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, tendo a quantidade ampliada de 600 para 900 bolsas.

– A respeito das expulsões arbitrárias, esclarecemos que tal fato não ocorre no horário noturno. Os alunos que já esgotaram o tempo de permanência ou que são formados e que se negam a deixar a moradia, são submetidos a processo judicial e notificados por oficiais de justiça.

– A prática irregular de violência (existe violência regular?) não faz parte da prática dos agentes de segurança que muito têm colaborado no sentido de mediar conflitos entre moradores e evitar transtornos. Estes agentes fazem um trabalho de prevenção e proteção dos próprios moradores.

– Sobre a autonomia nos processos de seleção acreditamos que para ser legítimo esse processo deve ser feito por profissionais capacitados para sua operacionalização com ética e sigilo, pois deve ser imparcial. O diagnóstico social e o atendimento é prerrogativa do assistente social conforme a legislação pertinente.

– Quanto às irregularidades no processo seletivo, trabalhamos a partir de informações, declarações e documentos de responsabilidade dos usuários. A comprovação da situação socioeconômica de cada um é feita a partir destes documentos.

Baseadas nisto, vimos solicitar o apoio da comunidade uspiana para retomarmos o quanto antes nosso espaço e condições de trabalho, evitando prejuízos aos alunos e trabalhadores que dependem do nosso fazer.

São Paulo, 19 de março de 2010.

Equipe do Serviço Social da Coseas

Com o apoio da Coordenadora da Coseas
e de seus Diretores

***

É mais do que a hora dos alunos, funcionários e toda comunidade uspiana contrária a esse tipo de atitude grotesca se unir para enfrentar essa minoria barulhenta e perigosa!

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