IRÃ: A FERA DOMADA? OU UM MUNDO OUTRA VEZ BIPOLARIZADO?

O Brasil, ou melhor, o Lula, acabou de firmar um acordo trilateral que envolveu o Irã, a Turquia e o Brasil. Esse acordo supostamente contempla os pontos levantados pela ONU para evitar maiores sanções à República Islâmica dos aiatolás, suspeita de desenvolver a tecnologia para a produção da temível e indefectível bomba atômica. De um lado o Irã e o Brasil (antes poderíamos incluir a China e Rússia, agora bastante desconfiados) alegavam que o país governado por radicais muçulmanos, notório em seu desrespeito a direitos humanos fundamentais, assassino sistemático de opositores, contrários à liberdade de imprensa, contrário aos direitos das mulheres, defensor da completa destruição do Estado de Israel, promotor da expansão dos preceitos mais radicais do islamismo para todo o mundo, financiador de grupos terroristas como o Hamas e Hezbollah etc etc etc enriquecia urânio para fiz pacíficos. Do outro lado quase toda a comunidade internacional do lado Ocidental do planeta alega que o Irã não é sincero em suas afirmativas sobre o uso da energia nuclear, desconfiança reforçada pela recusa do país em receber os fiscais da ONU.

Conforme Celso Amorim e Lula peace and love o acordo deslegitima novas sanções ao Irã. Para o Conselho de Segurança da ONU – atores que realmente importam no teatro internacional – o acordo não é suficiente para garantir que o Irã não continuará suas pesquisas rumo à bomba. Se a Rússia não vetar, novas sanções provavelmente virão e o Brasil vai fazer mais uma vez papel de palhaço. Lembram o passeio do nosso presidente pelas bandas de Israel e Palestina? Pois é…

O acordo tem ares de importância. Não por pouca coisa. É raro quando um país como o Brasil, outrora pouco significativo no cenário internacional, consegue estabelecer diálogo com uma nação tão distante e com a qual não temos tradição diplomática. Ainda, é raro quando esse diálogo redunda em um acordo que visa contornar um problema de enorme repercussão sem envolver as potências tradicionais: EUA, Reino Unido, França e Alemanha. Tudo isso já configuraria um salto, não fossem alguns detalhes incômodos. Primeiro, o interesse do Brasil na região é antes o interesse de Lula, que pelo o visto está mais preocupado em ganhar o Nobel da paz e promover sua imagem do que em levar a sério assunto de tanta relevância. Segundo, a recusa em aceitar a participação das potências tradicionais parece ser mais birra do que “resistência ao neoimperialismo”, esse delírio de socialistas de porta de universidade. Pior, essa mesma recusa e esse suposto sucesso do “Brasil”, Turquia e Irã podem colaborar com o aumento do prestígio da figura de Ahmadinejad nas partes mais radicais do Oriente Médio e impulsionar seus planos de aumentar sua influência na região. Fosse ele um líder moderado, sem seu histórico sombrio, isso não seria motivo de tantas preocupações. Todavia, Mahmoud Ahmadinejad é um fanático, fiel servidor de um aiatolá igualmente fanático que prega a imposição de sua interpretação radical do Alcorão para todos. E quando digo “todos” quero dizer todo o mundo mesmo!

O mundo bipolarizado do período da guerra fria – onde soviéticos e estadunidenses se digladiavam – parecia ter ficado lá no passado diante do advento da aldeia global. Ledo engano. Um novo cenário de bipolarização está em curso: de um lado as potências tradicionais já citadas, que tentam a todo custo [re]afirmar sua influência em um contexto de maior diversificação de zonas econômicas e politicamente relevantes. De outro lado potências emergentes com pretensões de assumir o papel de atores principais no cenário internacional. E a economia não é o único viés preponderante nessa disputa. Vejam, a afirmação da autoridade dessas novas potências ocorre significativamente pelo fortalecimento de ideologias – poderosos mecanismos de coesão. Temos o “bolivarianismo” se fortalecendo na América Latina, a radicalização do islamismo no Oriente Médio e partes da África, e nesse balaio de gato o atual governo brasileiro paquerando e alimentando essas forças ideológicas emergentes, juntinho com a Rússia – nostálgica – e a China – pretenciosa. Brasil, Rússia e China são as potências emergentes que logo podem sair da disputa retórica para a via de fato com as potências tradicionais. E essas novas potências começam a arquitetar seus aliados: Venezuela e seus protetorados, Irã e os grupos radicais que disputam o poder em outros países do Médio Oriente.  

Ainda temos tempo para tirarmos nosso país dessa rota de colisão…

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  1. V, está cada vez mais evidente que o verdadeiro objetivo é apresentar o fato consumado da bomba A brasileira.

      • vvsilver
      • 20 de maio de 2010

      Sim… tirar o PT do governo é urgente, estamos caminhando para o abismo. Delfim Netto disse, não faz muito tempo, o que o “sindicalismo” no poder pode gerar, estamos vendo os resultados. Nasceu o tirano.

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