POLITIZANDO CORRETAMENTE OS PALAVRÕES

 

Ziraldo

Estava a ouvir serelepe a “Paixão Segundo São Mateus” do querido J.S. Bach. Enquanto viajava no mais profícuo ócio googlei a obra e deparei-me, não sem uma exclamação de surpresa, com a notícia de que o bom Bach foi acusado de anti-semitismo por causa de sua Paixão. Essa notícia árida trouxe à memória capenga de vossa querida autora a história da censura do livro de Monteiro Lobato, “Caçadas de Pedrinho”, considerada – pasmem – racista. É notável a cegueira dos defensores da moral e dos bons costumes frente a algo tão necessário quanto o oxigênio: capacidade de contextualização.

Fico a matutar sobre o cúmulo da politização afirmativa, que essa gente que chama Bach de anti-semita e Monteiro Lobato de racista argumenta ser tão crucial para uma sociedade “justa e igualitária”. Pensem, intrépidos leitores, sobre a politização correta dos palavrões! Façamos esse exercício! Já que não parece mais absurdo a proposição de uma lei que nos obrigue a assim falar depois de uma bela topada ou uma decepcionante partida de futebol.

Vamos já começar a treinar para xingarmos de forma politicamente correta:

“Prostituta que deu à luz!”

“esperma!”

“necessidades fisiológicas!”

“filho da prostituta!”

“pênis!”

“substâncias ilícitas!”

“iníquo!”

“vá fazer sexo contigo mesmo!”

Lamentavelmente teremos que ignorar esses bons conselhos.

E vou indo para continuar a ouvir Bach e ler Monteiro Lobato antes de ascenderem as fogueiras.

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