Música que você provavelmente não conhece, mas vai adorar conhecer – Lhasa de Sela

Sou uma indisciplinada, isso já não é novidade. Mas prefiro escrever coisas poucas e raras – sim, raridade é mais questão de… bom, raridade, do que qualidade. O fato? Apesar do meu pessimismo tenho um quê de otimismo pois acredito valer a pena compartilhar certas coisas que, penso, engrandecem a alma.

Mas antes de começar, e fazendo justiça à minha indisciplina, convenhamos, é um baita tédio – para não dizer outra coisa – ler e ouvir por ai palavras apocalípticas concernentes às relações pessoais causadas pela ascensão das redes sociais. Ora, ao diabo com o ao vivo e a cores! Conheci pessoas fenomenais graças as redes sociais e tenho certeza  que, não fosse o Orkut e o Facebook, jamais as conheceria por uma razão simples: distâncias geográficas. Morasse eu em Curitiba, por exemplo, talvez eu esbarrasse com a mulher que lê línguas mortas e calcula a distância das estrelas; morasse eu em Riberão Preto nos idos de 2006 talvez conhecesse a jovem inteligente, ética e amante de mariposas com a qual debato horas sobre a miséria humana… e por ai vai. De qualquer forma, talvez.

Outro dia li um colunista de um jornal supervalorizado de Sampa que criticava as pessoas que viviam coladas com seus MP3 players ao invés de paquerar nos transportes públicos. Eu diria para esse sábio: idiota! Não troco minha “As Quatro Estações” de Vivaldi e meu Dostoiévsky por nenhuma paquera barata!  Não suporto desconhecidos que puxam conversa no metrô, não me interesso por eles. Meus amores e desabores encontro nos meus ambientes de interesse, e definitivamente os transportes públicos não estão incluídos na lista.

Em suma, adoro redes sociais! Não sou tola, dos meus 102 “amigos” do Facebook poucos são realmente amigos, todavia, são definitivamente 102 pessoas consideradas por mim interessantes, não o fossem não estariam na minha lista. Essas 102 pessoas interessante postam todos os dias coisas interessantes e graças a isso eu passo a conhecer preciosidades como a música introspectiva moldada pela voz melancólica de Lhasa de Sela.

Ah! Não posso descrever o deleite de ouvir a lindíssima “ Rising up” num final de tarde chuvoso e quente. Recomendo fortemente! Já disse e repito, não sou crítica de música. Sei o suficiente para afirmar que Justin Bieber e Parangolé são lixos adorados por desmiolados. Gosto de música elaborada, complexa, mesmo que seja simples, entendeu?

Pois Lhasa de Sela se encaixa muito bem no meu gosto eclético, mas seletivo! Depois da triste “Rising Up” você pode dá um up ao som de “La Celestina” com seu toque circense a animar uma letra reflexiva: todos sabemos da pena que dá dissecar pecadinhos.

Lhasa de Sela

Lhasa de Sela

Lhasa era sagaz, cantou em francês, inglês e espanhol. E cantou bem! Cantou? Sim, desgraçadamente ela deixou o  mundo há um ano e três dias, vitimada por um câncer de mama aos 37 anos de idade. Como são as coisas! No mesmo dia em que conheci essa moça de nome tibetado soube de sua partida. Ao menos a conheci, e graças ao Facebook e uma das 102 pessoas interessantes, membros da minha lista de amigos. Amigos? Talvez, amigos sempre compartilham coisas boas 🙂

 

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