Quem vai assumir o atirador da Noruega?

Estou tentando acompanhar as notícias sobre o terrível atentado duplo que vitimou dezenas de pessoas na pacífica Noruega. A primeira notícia veiculada foi que os atentados foram realizados por mulçumanos, o que não é surpreendente e isso não tem absolutamente nada a ver com racismo ou islamofobia. Precisamos ter o mínimo de bom senso e reconhecer que muitos dos atentados que afetam o mundo ocidental – e até do médio e extremo oriente – são operados por muçulmanos radicais, aqueles que acham que só a fé e o estilo de vida deles são legítimos e todo o resto da humanidade deve morrer. Bom, mas no caso de Oslo a situação foi diferente.

Os atentados foram realizados por um norueguês que atirou contra seu próprio povo, o mesmo povo que ele alega tentar defender. Ou melhor, o povo que faz parte da comunidade européia ocidental que ele alega defender. Provavelmente ele acredita que deveria eliminar o governo que permite o multiculturalismo que ele tanto abomina e também os jovens do partido do governo. Particularmente tenho lá minhas dúvidas se o multiculturalismo é algo realmente positivo, mas isso é tema para outro post. O fato é que sem dúvidas eu, tanto quanto a imensa maioria das pessoas que se preocupam um pouco com política, desaprovam qualquer tipo de ataque covarde contra pessoas inocentes e indefesas. Ora, não temo arriscar e dizer que hoje tanto pessoas identificadas como parte da direita quanto aqueles ditos partidários da esquerda não aprovam esse tipo de coisa.

Bom, descoberta a autoria do atentado muito rapidamente pulularam notícias que identificavam Anders Behring Breivik, o atirador, como um cristão radical da extrema-direita. Sinceramente me surpreendi com a velocidade com a qual o homem foi qualificado como de extrema-direita. O fundamento para essa qualificação é que o homem foi autor de uma “declaração de independência européia” e tinha alguns vídeos de temática “eurocêntrica” no youtube. Não vou arriscar dar minha opinião sobre isso porque não li o manifesto de Breivik e apenas vi um vídeo supostamente de autoria dele, onde ele defendia uma espécie de cruzada para livrar a Europa do multiculturalismo. O problema dessas afirmativas apressadas não poderia ser mais óbvio: a propagação de uma falsa idéia de que todos aqueles que questionam o multiculturalismo e têm pensamentos mais à “direita” são simpáticos a esse tipo de ataque violento, além de racistas e fascistas (outra coisa que merece um post). Isso é tão mentira quanto dizer que todos os muçulmanos são terroristas em potencial. E nesse balaio de gato os esquerdalóides estão a deitar e rolar.

É claro que o outro lado não dormiu no ponto. Surgiu uma corrida para ver quem acusava mais rápido o homem de ser alguma coisa: pró-Rússia, pró-sionismo, anticristão e por aí vai. Um dia triste na história da Noruega virou o combustível de uma guerra ideológica no mínimo infame.

Pelas notícias desencontradas e supostos trechos do manifesto de Breivik, reitero, acho difícil colocar o moço em alguma dessas caixinhas, suponho, todavia – e isso é pura especulação irresponsável – que ele está mais para um homem que sugou de diversas fontes e elaborou uma sistema de idéias próprias e doidinhas. É ótimo elaborar idéias próprias e doidinhas, desde que isso não implique matar e ferir inocentes. Mas penso ser medíocre tentar, forçosamente, usar esse episódio lamentável para dizer quem é mais malvado: os sionistas, os cristãos, os russos, os evolucionistas, os nacionalistas, os brancos, etc… soa como puro oportunismo, soa como usar a tragédia alheia – ocorrida em um incidente estranho e ainda não esclarecido – para defender seu próprio quadrado.

Todos sentem a necessidade de explicar de alguma maneira o quê motivou Breivik a fazer o que fez. Racionalizar esses atos horrorosos cometidos por aqueles de nossa própria espécie é uma necessidade humana, pois, penso, nos faz pensar sobre o que é ser humano. E muitas tentativas de explicação surgirão durante o processo que Breivik vai responder. Doutos psicólogos arriscarão diagnósticos, cientistas políticos falarão da crise de identidade européia, economistas insistirão na crise econômica, sociólogos no racismo, historiadores no eurocentrismo, esquerditas nos direitistas e direitistas nos esquerdistas. Mas estou cética. Esse é mais um episódio que vai entrar para a história da humanidade sem que alguém possa dar uma explicação definitiva, esse foi mais um ato que despertou e desperta repulsa e horror, mas, por mais difícil que possa ser admitir, esse foi mais ato que nos faz ver até onde pode ir a ação de um homem, um humano, não só um esquerdista, um muçulmano, um cristão, um direitista, um nacionalista, etc etc etc.

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