Pinheirinho e a gente diferenciada

Quando o banqueiro Daniel Dantas foi preso houve uma enorme comoção por

Lei e ordem

parte da imprensa e alguns políticos, comoção motivada por um suposto abuso de autoridade da Polícia Federal que algemou o dito cujo. Esses mesmos políticos e essa mesma imprensa veementemente ignoraram os abusos ocorridos em Pinheirinho.

Antes de continuar gostaria de manifestar que não sou necessariamente contra a reintegração de posse. Penso que testemunhamos mais uma tensão entre dois direitos fundamentais: o direito a propriedade e o direito a habitação. Não me sinto apta a discutir qual deve pesar mais na decisão de um juiz ou juíza. Mas estou realmente chocada com a forma pela qual o processo se deu. As pessoas viviam naquele local ilegalmente, é verdade; alguns viviam ilegalmente por causa do gravíssimo déficit habitacional brasileiro, é verdade; alguns viviam ilegalmente por conta do bom e velho jeitinho brasileiro, é verdade. Mas é também verdade que a maioria daquelas pessoas constitui a massa de trabalhadores pobres que adoramos ignorar, aquelas pessoas deveriam ter sua dignidade respeitada da mesmíssima forma como gritaram pela dignidade de Daniel Dantas. E isso não aconteceu.

Vídeos circulam na internet e mostram a tropa de choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo jogando bombas de gás lacrimogêneo, atirando com balas de borracha e jogando spray de pimenta não só naqueles que resistiam à reintegração, mas também em crianças, idosos e gestantes. Isso é inaceitável.

Que cumpram a reintegração de posse, mas sem tratar os moradores daquele lugar como cidadãos de segunda categoria, eles não são cidadãos de segunda categoria! Não podemos aceitar que as forças policiais – civil, militar e federal – ofereçam tratamentos diferenciados para ricos banqueiros e pobres favelados, no mínimo algo do tipo é imoral. O braço armado de um Estado justo não deve fazer distinções entre seus cidadãos.

Queremos um Estado cumpridor da lei, não um Estado abusivo. Esperamos que o Governo de São Paulo investigue com muita seriedade e cuidado TODOS os relatos de abuso policial. Vamos ficar de olho. 

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