Artigo sobre Dilma Rousseff na “The Economist” (tradução)

A próxima edição impressa da revista The Economist conta com um artigo sobre o primeiro ano do governo de Dilma Rousseff. Como é sempre interessante ler opiniões de estrangeiros sobre a política brasileira, que sofre com as análises miseravelmente pobres e viciadas da imprensa brasileira, trago o artigo da “The Economist” traduzido. A tradução é minha. Eu quis proporcionar  acesso à esse texto para leitores e leitoras brasileiros(as) que não dominam o inglês. Todavia, não sou tradutora profissional. Se alguém encontrar alguma incorreção na tradução, por favor, pode entrar em contato ou corrigir aqui nos comentários.

E assim inauguramos a série de traduções de artigos aqui no blog. Vou tentar traduzir ao menos um artigo interessante por mês. Se alguém tiver uma sugestão para o próximo mês pode colocá-la  nos comentários também.

Sem mais delongas!

Indo por conta própria

Devagar, mas com segurança, a presidenta está deixando sua marca no governo

The Economist

Durante seu primeiro ano como presidenta do Brasil, Dilma Rousseff foi cuidadosa para não fazer mudanças muito grandes de modo que fossem vistas como uma censura a Luiz Inácio Lula da Silva, seu predecessor e patrono. Ela esperou para substituir os ministros clientelistas que ela herdou de Lula até que as acusações de corrupção contra eles se tornassem esmagadoras, e implementou apenas reformas limitadas. Muitos especialistas esperavam que em 2012 ela iria tirar vantagens do período calmo entre o Natal e o Carnaval para ser mais ambiciosa – apenas para se desapontarem com mais incrementalismo.

Mesmo que a presidenta tenha evitado gestos ousados, ela progressivamente emergiu da sombra de Lula para remodelar o estado brasileiro de acordo com seu próprio jeito. Com um ano de mandato, a administração de Rousseff se mantém firme em seus princípios, mais técnica, mais leal, e muito mais feminina do que a de Lula. Resta observar como essas mudanças a tornarão mais hábil do que Lula para levar a cabo as reformas estruturais necessárias ao Brasil.

Rousseff deve sua vitória eleitoral de 2010 inteiramente à Lula, que a escolheu como sucessora. Por outro lado, ele deve sua popularidade ao rápido crescimento econômico do Brasil em seu segundo mandato e a programas sociais que ajudaram a reduzir a pobreza e desigualdade. Contudo, Lula era um consumado negociador pragmático que, como muitos outros presidentes brasileiros, comprou lealdade distribuindo cargos públicos e fisiologismo. Muito das reformas econômicas que calcaram o crescimento durante o governo Lula foram fruto do trabalho de seu predecessor.

Depois de assumir o governo, Rousseff manteve muitos dos ministros de Lula ao invés de colocar seus próprios escolhidos. Desde então ela demitiu sete que enfrentaram acusações de corrupção, embora primeiramente tenha os defendido. Muitos foram substituídos por aqueles escolhidos por ela, mas o pragmatismo em alguns momentos prevaleceu. Mário Negromonte, expulso do ministério das cidades no início desse mês, foi substituído por seu chefe de partido, Aguinaldo Ribeiro, que também já enfrentou acusações de corrupção enquanto era cogitado para o cargo.

Durante o primeiro ano do mandato de Rousseff apenas uma grande reforma, que liberou o governo de algumas obrigações de gastos constitucionais, passou pelo Congresso. Conseguir concluir alguma coisa em Brasília é um negócio lento que requer negociações tortuosas com parceiros da coalisão. A liberdade de manobra de Dilma foi muito limitada por sua inexperiência e por débitos políticos com aliados que a ajudaram a ser eleita.

Mas a presidência de Dilma Rousseff não pode ser sumarizada ainda: há fortes indícios de que ela está preparando o terreno para uma agenda mais ambiciosa. Muitas de suas nomeações seriam vistas fora de lugar sob Lula. Eleonora Menicucci, a nova ministra da Secretaria das Mulheres, é uma professora de saúde pública que é próxima à presidenta desde quando elas dividiram uma cela durante a ditadura brasileira. Rousseff também nomeou Marco Antonio Raupp, um respeitado físico, como ministro da ciência quando seu predecessor mudou de cargo.

A nomeação de Maria das Graças Foster para o cargo máximo da Petrobrás, a companhia de petróleo controlada pelo Estado, é particularmente notável. Uma engenheira que trabalha para a Petrobrás há 31 anos, Foster expressou sua “gratidão e lealdade incondicional” à Dilma Rousseff quando ela assumiu o cargo no dia 13 de fevereiro. Isso pode não ter agradado acionistas minoritários, mas a experiência de Foster mais do que compensou. As ações da Petrobrás subiram quando o nome de Foster foi anunciado.

Com seu rearranjo por trás, Dilma Rousseff vai agora avançar com seu programa. Embora ela tenha tido pouca sorte no Congresso, ela propôs a reforma das pensões, regras para parar o desflorestamento e uma proposta para dividir os rendimentos do offshore do petróleo entre os estados e o governo federal. E ela está arranjando seu gabinete a favor dos seus objetivos e da decência dos serviços públicos para os eleitores de rendimentos moderados.

O Brasil resistiu à tempestade da economia global muito bem. Depois da agitação de 2010, a economia teve perspectivas de crescimento de 3% no ano passado, isso devido a um arrefecimento no terceiro semestre. Um câmbio menos alto significa o crescimento das exportações. Mas cortes de juros devem reascender a demanda doméstica. Economistas preveem um crescimento entre 3 e 4% neste ano.

Enquanto isso, pesquisas recentes colocam Dilma Rousseff com um índice de 59% de aprovação, um crescimento de dez pontos desde a metade do ano passado. Isso poderia fortalecê-la para reduzir sua pesada coalisão. Sete partidos estão representados no gabinete e a oposição tem apenas 91 representantes dentre os 513 na Câmara. Livrar-se dos mais problemáticos nomes dentre os aliados ajudará a presidenta a se fortalecer enquanto relembrará o resto sobre quem é a chefa.

Anúncios
  1. No trackbacks yet.

Seus comentários são muito importantes! Deixe sua opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: