A arte do desrespeito

ou morto?

Dizem que brasileiros reclamam muito, é verdade, mas muitas vezes temos razão. Praticamente todo cidadão é um consumidor, e assim, todo cidadão brasileiro é um sofredor. Certa vez fui ludibriada pela operadora de telefonia móvel Vivo. Entrei em contato com o Procon que julgou minha reclamação procedente. A atendente do Procon, muito gentil, me orientou como levar adiante minha justa causa. Entrei em contato com a Anatel para fazer a reclamação, mais uma vez fui informada que minha reclamação tinha todo o cabimento. O próximo passo foi voltar ao contato com a Vivo, e dessa vez com a certeza de que seria atendida já que tinha o aval do Procon e da Anatel e segui rigorosamente o trâmite. A atendente da Vivo me enrolou por uns bons minutos e numa daquelas “aguarde, por favor” esqueceu de colocar o telefone dela no mudo, de modo que ouvi a conversa que se desenrolou onde ela falava com o gerente/monitor ou sabe-se lá quem, que eu havia ligado várias vezes e fui devidamente enganada pela Vivo, mas que daquela vez eu tinha o aval do Procon e da Anatel, como parecia constar no sistema. E fiquei ouvindo a conversa me sentindo uma perfeita idiota. Mantive o silêncio para conseguir captar tudo o que aquela mulher falava para o cara. Senti meu corpo tremer de ódio com o tom irônico da voz dela. Assim que ela notou que não havia colocado no mudo desligou imediatamente o telefone na minha cara! Passado um tempo, misteriosamente, o aval da Anatel desapareceu.

Isso é surpreendente? Não, estimados leitores.

Numa matéria do UOL de abril de 2011 vemos a denúncia dos benefícios dados por diretores da Anatel para empresas que disputavam licitações públicas. Claro que “favores” de agentes públicos sempre envolvem propinas. Amigos, se há alguém entre vocês que acredita que a Anatel – uma agência reguladora PÚBLICA – está a favor de nós, desculpe informar, mas não é verdade. Por que vocês acham que contratamos um serviço de internet banda larga de 10 Megas e recebemos um de 3 Megas, por falta de disponibilidade de sinal, segundo as operadoras, e mesmo assim a Anatel fica recolhida a sua insignificância? No dia 4 de agosto de 2011 a Anatel aprovou uma proposta de regulamentação da prestação de serviços de banda larga no Brasil realmente fascinante. Quer saber? Pois o Conselho Diretor da Anatel decidiu que as operadoras deveriam garantir 20% da velocidade vendida. Pois é, você compra um serviço e a agência que o regula define que o fornecedor só precisa entregar 20% do que vendeu. Imagine você comprar 1 quilo de carne no mercado e receber duzentos gramas? Pois foi essa a decisão da Anatel para nos beneficiar! Nossa, nem sei como agradecer! Mas calma, depois de um ano da proposta maravilhosa, as operadoras deveriam garantir 30% da velocidade vendida, um tempo depois 40%. Não é fantástico?

Cabe lembrar que a Anatel é a Agência Nacional de Telecomunicações (ah, essas siglas!). Isso significa que ela não regula apenas nossos celulares e internet, mais também os serviços de televisão e rádio. O órgão máximo da Anatel é o conselho diretor formado por cinco conselheiros que devem ter reputação ilibada e conhecimentos significativos sobre a função. É assim? Pois saiba que os conselheiros são escolhidos por indicações políticas e os partidos brasileiros disputam a tapas o “direito” de indicar seus nomes. Trata-se de interesse político, amigos, não de escolha baseada em méritos. Até o final de 2012, por exemplo, uma das conselheiras é Emilia Ribeiro, colocada lá pelas mãos de ninguém mais ninguém menos do que Renan Calheiros e José Sarney. Quem achava que o sarneizão só coronelizava o Maranhão está enganado. Com a iminência do processo de nova escolha de conselheiros começa a corrida ou pela reeleição de Emilia Ribeiro ou pela escolha de Daniel Slavieiro. Quem é o fulano? Só o ex-presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão e atual diretor-geral do SBT. Ou seja, um cara que trabalha para aqueles que, se escolhido, deverá fiscalizar e regular. (Fonte)

Por acaso eu já mencionei que a família Sarney é dona da Rede Mirante, uma emissora maranhense afiliada da Rede Globo?

Nessa trama macabra evidentemente que a babaca aqui seria descartada e humilhada pela Vivo e abandonada pela Anatel. Sou só uma brasileira, só mais uma otária numa multidão formada por milhões.

Dizem que brasileiros reclamam muito, é verdade. Dizem que brasileiros reclamam e nada fazem. É verdade também. Eu, todavia, já cansei de ser só uma reclamona.

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