Sobre

A triste história dos regimes autoritários e totalitários foi utilizada de maneira oportunista por aqueles que defendem a república como o único regime de governo legítimo. República virou sinônimo de liberdade, ou melhor, certas liberdades foram qualificadas como oriundas do republicanismo. Qualquer outro regime de governo fora dos moldes republicanos é então vistos como ditatorial, violento, repressor, assassino e anti-democrático. O “Estado Democrático de Direito” dentro do modelo republicano é assim a única alternativa, fugir disso é correr o risco de ser invadido por alguma coalizão internacional e ter a “democracia” imposta. Flagrante despautério, mas aplaudido pelos paladinos das bandeiras pseudo-democráticas.

Falta, todavia, uma certa ilustração aos que têm a república como o único regime possível. Primeiro, é notório que os republicanos são mais felizes quando seus cordeiros – os eleitores, ditos “cidadãos” – pouco sabem sobre democracia. Cegos pela ignorância crônica são manipulados. O que pouco se diz é que a manipulação é a base principal de sustentação da república. Essa é a essência do regime, não sua deformação.

A massificação do processo eleitoral, princípio primordial da república, redundou na despersonificação dos responsáveis pela eleição daqueles alcunhados como “representantes”. Sem uma identidade os que elegem perdem força e capacidade de organização para cobrar de seus eleitos o cumprimento do papel para que foram designados: representar. Assim, aquele que se diz representante triunfa: legisla e executa por seus próprios interesses, que comumente são manter-se no poder.

A vontade de manter-se no poder – perpetuada por seus descendentes, o que significa uma verdadeira sucessão dinástica – elimina qualquer ética política. Trocas de favores, oferecimento de cargos, desvios vultosos de verbas públicas para financiar campanhas, processo legislativo direcionado para manter a ordem das coisas, são os efeitos colaterais inevitáveis da ordem republicana.

Tudo isso é cuidadosamente obnubilado por uma forte propaganda. Regimes que saiam milimetricamente do paradigma republicano são imediatamente tratados como inimigos em potencial da humanidade, a despeito de qualquer benefício superior que tragam para seus povos. Atrocidades cometidas pelo nazi-fascismo, pelos regimes soviético, cubano, coreano, chinês, os do leste europeu, e demais (mancha negra da história da humanidade) são repetidamente relacionadas com a sublimação da democracia, de modo que todos absorvam a idéia de que a queda do republicanismo necessariamente levará à morte de milhões de inocentes. Dentro das repúblicas, quando denunciados escândalos de corrupção – peste impossível de ser combatida nesse regime – os acusados são logo apontados como agentes anti-democráticos, mesmo que democraticamente eleitos, mesmo que democraticamente legislem ou executem.

Esse é um espaço da ContraDemocracia. No decorrer de nossas manifestações procuraremos esclarecer com maior cuidado nossas colocações, apresentar alternativas e delinear as estruturas de um regime de governo efetivamente justo e ocupado com a realização das demandas urgentes de toda a sociedade.

Sejam todos bem-vindos.

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