Archive for the ‘ Artes ’ Category

Cenas marcantes do cinema contemporâneo – Adeus Lênin

Uma das vantagens de viver numa grande metrópole como São Paulo é a rica oferta de filmes exibidos nas salas de cinema. Mesmo com a proliferação das grandes salas de Shoppings Centers – que eu particularmente detesto porque não suporto shoppings e não aguento com público adolescente mal educado – alguns bons cinemas ainda resistem na capital e exibem filmes que não estão na categoria comédia-romântica-imbecil, explosões-testosterona-tiro e vampiros-brilhantes-babões.

O último que assisti foi o excelente Tomboy da Céline Sciamma que tem um estilo de direção que muito me agrada. O filme já saiu de cartaz há tempos. Confesso que não ando muito afeita a frequentar inclusive as salas mais alternativas, é que gosto de ver filmes fumando cigarros, tomando café e, depois de terminada a película, gosto de voltar às cenas que mais gostei. São Paulo anda hostil com os fumantes, vá lá, acho que precisamos nos resignar com a preocupação dos governantes com os impostos que perdem quando morremos de câncer aos oitenta anos! Aham…

Selecionei algumas cenas que me agradaram nos últimos anos. Evidentemente a seleção é totalmente pessoal e isso não se trata de uma lista de top 10. Nops, nem colocarei 10 cenas, afinal! Talvez menos, talvez mais.

Bom, vou publicar esse post e conforme o andar da carruagem postarei outras cenas em outras oportunidades.

Goodbye Lenin – o adeus do revolucionário

Good Bye Lenin! (2003)

No Brasil – Adeus, Lenin!

Direção: Wolfgang Becker

Elenco: Daniel Brühl, Katrin Sass e Chulpan Khamatova

País: Alemanha

Cena que já nasceu clássica! O filme é brilhante, mas essa cena… nossa! A sinopse: O filme se passa na Alemanha Oriental. Alex viu a mãe sofrer um colapso cerebral e entrar em coma antes da reunificação. Quando ela acorda, depois que a Alemanha voltou a ser uma, o dedicado filho tentar esconder a verdade da mãe – uma entusiasta do comunismo – para que ela não sofresse um grande choque e tivesse novos problemas de saúde. O que achei: o filme mostra a reunificação sob uma perspectiva muito singular, o anacronismo do mundo que Alex [re]criou para a mãe poderia soar apenas patético, não fosse comovente pelo carinho e amor que o jovem nutre pela mãe a ponto de transformar a realidade!

A cena. Alex adormece exausto pelos enormes esforços que andava fazendo para refazer a Alemanha Oriental. A mãe acorda e decide dar uma volta e… 

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História da Música Brasileira

Amigos!

Vejam que trabalho lindo!

A riqueza da música brasileira vai além das sonoridades populares. Ricardo Kanji nos guia por quinhentos anos de música brasileira nessa série rica, didática e disponibilizada gratuitamente no Youtube! Aproveitem!

Veja os outros capítulos da série aqui.

Dica do PQP Bach!

Bibliotecas virtuais – livre acesso

A vida dos pesquisadores não é fácil. Além das horas solitárias com muitas leituras, prazos apertados, dores na coluna por causa do tempo que passamos sentados, tendinite, problemas de visão e coisas do tipo, ainda sofremos para conseguir aquele artigo crucial disponível em uma revista que cobra os olhos da cara pelo acesso. Como estudo em uma grande universidade que paga caro para permitir que os alunos possam ter acesso às principais revistas e plataformas de periódicos, não sofro tanto assim desse mal. Mas sei que há muitos jovens estudantes de universidades menos badaladas e até mesmo pessoas que não tem vínculo formal com a academia mas adoram estudar e se aprofundar em determinados assuntos que são privados do acesso ao conhecimento.

Para ajudar essas pessoas faço uma pequena listinha com portais de periódicos e livros de acesso gratuito e livre para todos. Como a minha área de pesquisa é Humanidades a lista é tendenciosa. Mas é possível encontrar artigos e livros de diversas áreas nessas plataformas. Então prepare seu browser para ganhar alguns favoritos e vamos lá!

Scielo

Penso que o Scielo é a primeira parada para quem deseja iniciar uma pesquisa sobre algum tema. Com um grande acervo de materiais, sempre atualizados e, mais importante, gratuitos, o Scielo é o paraíso dos amantes do saber. Clique aqui para acessar!

Dialnet

Nem tudo o que está indexado no Dialnet é gratuito, mas há bastante coisa interessante e vale uma visita. (Em espanhol). Clique aqui para acessar!

Persée

Um portal dedicado às ciências humanas e sociais, além de revistas tem anais de congressos (que custam bem caro). Como é um programa francês de publicação eletrônica a maioria dos títulos está em francês, mas há material em outros idiomas. O Persée já me salvou algumas vezes então tenho um carinho especial por ele. Clique aqui para acessar!

Gallica

Presentinho da BnF (sigla para Bibliothèque Nationale de France) é um prato cheio para quem gosta de história. Há livros raríssimo digitalizados e disponíveis para todo mundo, artigos e até manuscritos. Clique aqui para acessar!

Europeana

"Diagrama do Mundo" - Nas Etimilogias de Isidoro de Sevilha. Manuscrito do final do século XII presente na British Library. Acessado pela Europeana!

Essa é quente. Conforme a definição oferecida pelo próprio projeto: : Europeana permite que as pessoas explorem os recursos digitais dos museus, bibliotecas, arquivos e coleções audio-visuais européias. Acesse!

Gostou? Então aproveita porque todo o material pode ser acessado e as vezes até baixado legalmente!!!

Tem muito mais sites legais, como o Brasiliana que está no começo, mas já disponibiliza material, e o Domínio Público.

Você pode ajudar a aumentar essa lista dando dicas nos comentários.

Boa leitura!

Música para um bom domingo

Domingueira, pessoal! Esse dia me remete ao tédio. Como não gosto de passeios nos parques, ando sem paciência para salas de cinema e público mal educado e cancelei a assinatura do jornal – um dos prazeres do domingo é ler jornal, em minha opinião, e se jogar nos cadernos de cultura sem culpa – meus domingos andam mais monótonos do que campeonato de jogo da velha. Mas nem tudo estará perdido enquanto existir música.

Quem acompanha o ContraDemocracia já deve ter notado que gosto muito de música erudita. Tenho especial apreço pelos compositores do barroco alemão com destaque para H. Schütz e, óbvio, J.S. Bach. Então pensei em colocar em prática uma idéia que tilintava na minha cabeça: uma série sobre música que ajudará os leitores a conhecer o top nas paradas de sucesso erudita.

Vou começar com cinco composições para coral famosas, por hora sem muito critério além da fama mesmo. No próximo domingo teremos um especial sobre duetos. 

Verdi – Va, pensiero, sull’ali dorate

O coro dos escravos hebreus está no terceiro ato da ópera Nabuco de Giuseppe Verdi, escrita em 1842. Na época, e podemos dizer que ainda hoje numa Itália convulsionada pela crise europeia, Va, pensiero, sull’ali dorate se tornou um símbolo do nacionalismo italiano. Nacionalismos a parte, essa linda composição não é famosa por acaso. Confira e tire suas próprias conclusões!

Mozart – Lacrimosa

Lacrimosa faz parte do réquiem inacabado de Wolfgang Amadeus Mozart. Segundo consta o genial compositor certo dia ouviu alguém bater à porta de casa e quando atendeu deparou-se com um homem misterioso que pediu ao notável que ele compusesse um réquiem. O homem pagou um adiantamento e disse que voltaria dali a um mês para pegar a encomenda. Mozart, muito impressionado com o mistério da encomenda, acreditou que o homem era na verdade um enviado de Deus e que o réquiem que encomendava seria para o próprio Mozart. Então ele começou os trabalhos, e acabou que morreu antes de terminar. O discípulo dele, Franz Xaver Süssmayer, terminou o trabalho.

Handel – Hallelujah

Essa é famosíssima, uma composição de Georg Friedrich Händel para o oratório Messiah composto em 1741. Faz muito parte da cultura popular! Já cansei de ouvir alguém cantarolar “haaallelujah, haaaallelujah” quando algo que era esperado finalmente acontece. O moleque que foi reprovado 3 vezes no vestibular finalmente passa e a família, em enorme deleite e regozijo, canta alegremente “hallelujah, hallejujah”! É isso, agora vocês sabem de onde esse costume veio.

Bach – Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen

Dizem que é impossível não acreditar em Deus depois de ouvir Bach, e diria que especialmente sua Paixão Segundo São Matheus. Não sei se esse coral é tão famoso assim para o público totalmente alheio à música erudita, mas para conhecedores básicos – como eu – a Paixão Segundo São Matheus é muito famosa. Eu não iria colocar nessa lista justamente por não ser uma composição tão “pop”, mas não resisti! Sério, escute! 

Há um comentário do Youtube para esse vídeo que eu faço questão de traduzir caso você ainda não tenha se convencido de que J.S. Bach foi um presente para a civilização:

Nesses dias de economia mundial turbulenta, corrupção, guerra e fome não restou muita dignidade. Por sete minutos e meio alguém pode colocar isso de lado e esquecer todas essas preocupações para revelar a supremacia que Johann [Sebastian] Bach trouxe para esse mundo com sua música – A Paixão de São Matheus” (do(a) usuário(a) GeoGis13)

Já escutou? Ok! 

Puccini – Coro a bocca chiusa

Esse coro fecha o segundo ato da mega famosa ópera Madame Butterfly de Giacomo Puccini. É aquela música que soa sempre familiar, sabe? Melancólica e doce, como toda espera. Ops… nada de divagar.

Bônus

 A ópera Madame Butterfly representou um papel importante para o começo de minha paixão por música erudita. Atualmente não escuto mais muitas óperas, mas respeito o gênero que me levou a querer saber mais e escutar desesperadamente aquelas músicas lindas que eu ouvia na rádio MEC quando era uma moleca moradora da periferia do Rio de Janeiro. Uma das árias (na época eu nem sabia o que era uma “ária”) que me deixou petrificada foi “Un bel dì vedremo” justamente da Madame Butterfly. Então lá vai, e na voz de Maria Callas:

Da série – não tem texto novo!

Puxa, não tive tempo de escrever o texto que está na minha fila mental… Mas como me comprometi a manter esse blog sempre atualizado, compartilho com meus infiéis leitores essa maravilha:

Estava há pouco ouvindo mais essa jóia composta por Brahms sob a regência de Cláudio Abbado. Pensei: hmmm… isso daria um bom post. Fui procurar no Youtube e me deparei com a imagem de uma pessoa andrógina diante da Orquestra Filarmônica de Budapeste e paguei para ver. Não sou especialista em música, acho que já disse isso antes em algum post do passado, mas gostei do que ouvi. A execução me pareceu “bem boa” (como diz uma pessoinha que mora no meu coração).

Vou poupar o tempo dos curiosos e adianto logo que a regente é uma mulher.

Segundo informações da Wikipédia (a versão em inglês, como sempre) Tomomi Nishimoto nasceu em 1970 em Osaka, Japão. Iniciou seus estudos musicais aos três anos e também graças a influência do gosto musical da mãe interessou-se pela possibilidade de ser condutora. Obteve o título de bacharel em composição musical no Colégio de Música de Osaka e em 1994 foi admitida no conservatório de São Petersburgo. Sua carreira como condutora começou oficialmente em 1998 quando se tornou regente da Orquestra Sinfônica de Kyoto.
Nishimoto já conduziu muitas orquestras européias, especialmente no lado leste do velho continente. Desde 2010 é a principal condutora convidada da Orquestra Sinfônica da Rússia.

É muito bom ver que mulheres regentes estão deixando de ser uma raridade. Vocês sabem que a regente titular da OSESP é uma mulher, certo? A Marin Alsop.

Acabou que nem falei sobre Brahms e suas Danças Húngaras… mas eu definitivamente não sou a melhor fonte. Se quiser saber mais não deixe de visitar o melhor blog da internet dedicado à música erudita! O PQP Bach! Foi lá que baixei a versão que estou ouvindo exatamente agora, aquela que inspirou estas letras tortas. E se quiser comprar o CD, como eu farei em breve, clique no link a partir do PQP Bach e ajude esses heróis a continuar nutrindo a internet  com o que existe de melhor!

P.S. A propaganda é gratuita, nem conheço os responsáveis pelo PQP Bach, só sou uma fã do trabalho dos caras e temos que prestigiar o que é bom!

Da série: Música que você adora e não sabe

Trago neste post um verdadeiro sucesso do repertório erudito. Trata-se da parte IV da Nona Sinfonia de Beethoven. Não importa se você é um dos que não gostam de música erudita, a Nona é imbatível, um verdadeiro patrimônio da humanidade.

O maestro é Wilhelm Furtwängler, mas você pode chamá-lo de “O grande” também, não seria exagero. 

Se ainda não está convencido, leia mais algumas informações retiradas daqui:

A Sinfonia No. 9 in D minor, op. 125 representa a apoteose das sinfonias de Beethoven. A idéia dessa sinfonia atormentou Beethoven por muitos anos. Desde 1809 encontramos notas de idéias musicais que mais tarde foram usadas nessa sinfonia. O material que ele reuniu foi enfim usado entre 1822-1824 quando a grande sinfonia foi elaborada com coral e solistas. Seu tom geral é a alegria capturada em múltiplas instâncias. Talvez seja por isso que ela também foi intitulada ‘A sinfonia da alegria/ felicidade’.

O Poema de Schiller “The Ode to Joy” [algo como a ode à alegria] interessou ele [Beethoven] em 1793 quando ele pretendeu escrever uma música, mas o tema musical da parte IV foi escrito apenas um ano antes do término da composição da sinfonia“.

Sobre a parte IV que eu compartilho aqui:

Parte IV – Allegro assai – representa a síntese de toda a sinfonia, uma página memorável no livro da cultura universal.

Desculpe-me pela tradução torta, mas o que vale é a intenção, né?

Enfim. Se você deseja ter contato com algo cotado como uma das mais belas produções humanas, espere sua casa ficar silenciosa, sente numa cadeira confortável e aproveite!

Não mudamos…

Dos versos de Gregório de Matos escritos no século XVII:

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

Até as palavras indignadas de Ruy Barbosa proferidas na interpretação eletrizante de Boldrin:

Constatamos:

Nada mudamos…

 

Barroco tour

Ainda encantada pela Lhasa de Sela e pelas coisas belas e nada ordinárias, aproveito para compartilhar o belíssimo duetto “Io t´abbraccio” da Rodelinda de Handel, interpretado pelas fenomenais Marijana Mijanovic e Simone Kermes!

No compasso do barroco, vale muito a pena conferir esse site! Para quem gosta de arte é um prato cheio! (em inglês, viu? Coloquei o link para a página de artistas barrocos)

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