O Quinto dos infernos

Recebi esse texto por e-mail, uma amiga me enviou. Achei interessante, simples, direto e bem ilustrativo. Não sei quem é o autor ou autora, se alguém souber deixe um recadinho, por gentileza. Sem mais delongas:

O quinto dos infernos

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de “O Quinto”.

Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O “Quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de “O Quinto dos Infernos”. A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os “quintos atrasados” de uma única vez, no episódio conhecido como “Derrama”.

Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de “Inconfidência Mineira”, que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos” de impostos…

Para que? Para sustentar a corrupção, o PAC, o mensalão, o Senado com sua legião de “diretores”, a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo. Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar esta corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!

E nós… bem, nós ficamos na internet…

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E no Rio de Janeiro

Nasci e cresci no Rio de Janeiro, a “cidade maravilhosa”. É nela que está o Cristo, uma das maravilhas do mundo moderno, é nela que será as Olimpíadas de 2016, é nela que serão jogadas algumas partidas da Copa do Mundo de 2014. Foi nela que os últimos jogos Pan-americanos ocorreram. É no Rio de Janeiro, minha cidade, que está a Praia de Copacabana, que já percorri de ponta a ponta em finais de tarde, sentido o cheirinho do mar, o calor gostoso do fim do dia e saboreando uma refrescante água de coco. Rio de Janeiro…

Pegar o ônibus e atravessar a Av. Presidente Vargas, na saída do Centro impera o Morro da Providência, oficialmente a primeira favela carioca, cravada no coração da cidade. Feia, suja, perigosa. O ônibus avança pela Av. Brasil, que atravessa a cidade – da zona oeste, passa pela norte e chega ao Centro. O cenário dessa parte da cidade pouco lembra a beleza antiga misturada com a modernidade do Centro, pouco remete ao cheiro do mar de Copacabana. Às margens da Brasil, de um extremo ao outro, favelas. Tantas que são denominadas genericamente como “complexos”, do Alemão, da Maré, da PQP (Puta que Pariu, para os leigos). Pichações nos lembram dos donos do território, que marcam os muros tais como os cães. Os cães são lindos e mijam por instinto, os traficantes são miseráveis semi-analfabetos que sujam de porcos que são. ADA, TCP, TC, CV, siglas que nos lembram da falência do Estado brasileiro. O Estado brasileiro, esse mesmo que está de joelhos diante dos semi-analfabetos, porcos e iníquos traficantes.

No Rio de Janeiro, minha cidade, onde nasci e cresci, um helicóptero da polícia foi derrubado nas imediações do Morro dos Macacos. Esse não fica nas margens da Brasil, fica lá pelos lados dos tijucanos. Um traficante semi-analfabeto, burro mesmo, retrato da decadência humana, destreinado, derrubou um helicóptero da polícia, um dos braços armados do Estado brasileiro. Dentro do helicóptero, seis policiais, pais de família, com armas infinitamente inferiores ao do traficante que corajosamente sobrevoavam a favela. Três deles sucumbiram. Enquanto esses três trabalhadores morriam, Eduardo Paes, o prefeito, estava lá pela Europa, Sérgio Cabral, o governador, estava sabe-se lá onde, provavelmente confortável e seguro graças ao dinheiro dos contribuintes. Os deputados estaduais deveriam estar a planejar estratégias para desviar verbas para a próxima campanha ou matutavam sobre leis ineficientes que servem tão-somente para onerar mais ainda trabalhadores como os três policiais e demais cidadão do Rio de Janeiro. Os vereadores deveriam pensar sobre novos nomes de ruas e obras paliativas em seus currais eleitorais para garantir a mamata de futuros próximos quatro anos. Brasília certamente estava às moscas, pois Senadores e deputados só trabalham até quinta-feira, depois pegam seus jatinhos pagos com o Money de nossos impostos e voam para fazendas gigantescas e coberturas milionárias em alguma praia paradisíaca desses trópicos. O presidente deveria estar a degustar alguma cachaça.

Um helicóptero caiu depois de alvejado por um tiro que saiu de alguma arma muito cara que das três, uma: foi desviada de algum Quartel das Forças Armadas, foi desviada de algum paiol da polícia civil ou militar, ou atravessou nossas fronteiras abandonadas pelo poder público. Preparem-se, prezados compatriotas, nos próximos dias uma enxurrada de propostas mirabolantes surgirão com a promessa de acabar com o tráfico. Deputados, senadores, vereadores, presidente, secretários, ministros, juízes do STF, falarão sobre como resolver nosso problemão chamado crime organizado. Prometerão, alardearão, resmungarão, gritarão, só até o povão esquecer e tudo voltar ao caos velado de nosso país, de nossos estados, de nossas cidades… da minha cidade, o Rio de Janeiro.

UMA NAÇÃO DE DESOCUPADOS

Dambisa Moyo, economista nascida na Zâmbia, é autora do poderoso livro Dead Aid – Why aid is not working and how there is a better way for Africa. Nesse trabalho, Moyo denuncia aos males que a ajuda humanitária causa aos países africanos. Nos últimos cinqüenta anos, mais de um trilhão de dólares foram doados para os países africanos por líderes de nações desenvolvidas, além de doações advindas de campanhas de ONGs, artistas hollywoodianos e estrelas da música. Não é preciso ir muito longe para constatar que essa enorme soma em nada colaborou com o fim do tragédia humanitária que assola países como Etiópia, Serra Leoa, Uganda, Ruanda, dentre outros. Pelo contrário, conforme argumenta Moyo, esse dinheiro colabora com o financiamento de regimes sanguinários de certos líderes africanos, além de garantir a manutenção da corrupção, da dependência das nações africanas, das distorções de mercado e, inevitavelmente, da miséria frente a qual milhões de africanos sucumbem. O continente africano é prova cabal da inutilidade da doação de dinheiro desprovida de qualquer projeto que garanta os meios para que países e pessoas possam gerar e administrar seus próprios recursos, de modo a não depender da boa vontade de governos.

No Brasil, a política do bom samaritano é uma realidade desde a massificação de programas sociais como o Bolsa Família. É certo que o Brasil é uma nação marcada por profundas desigualdades sociais, é certo que essas desigualdades devem ser combatidas urgentemente para garantir nosso desenvolvimento, mas é errado partirmos da premissa que a simples doação de dinheiro resolverá nossos problemas.

A doação de dinheiro (sim, é isso que os programas sociais são no final das contas) quando realizada sem projetos sérios que visem a inserção dos agraciados no mercado de trabalho, tão-somente cria uma nação de desocupados incapazes de viver dignamente sem a ajuda financeira do Estado. Os ajudados nunca sairão dessa condição, jamais gerarão renda, não terão ímpeto de romper os laços de dependência com o governo e trabalhar para sua própria melhoria de qualidade de vida.

No outro lado do cabo está a classe média, a maior prejudicada pelas sandices dos governantes brasileiros. É a classe média que arca financeiramente com esses programas, é ela que vê minguar seus recursos, é ela que sofre para que os agraciados permaneçam agraciados e, gratos que são, mantenham os “benfeitores” no poder. Essa classe média, formada também por pequenos empresários que produzem e geram emprego, vê todo o seu esforço empreendedor descer pelos ralos da política nacional que prioriza os desocupados e pune aqueles que trabalham para gerar recursos.

Sim, é necessário agir para tirar tantos brasileiros da situação de miseráveis, mas isso em momento algum pode recair sobre os ombros de poucos, da mesma forma que não pode criar uma situação de profundo comodismo para os agraciados. É antes preciso que essa “ajuda” assuma outro caráter, um caráter de educação voltado para o despertar e desenvolver do empreendedorismo, da independência e da vontade de crescimento individual. Tudo isso aliados a políticas públicas de incentivo a criação de novas empresas, de novas possibilidades de geração de renda.

O Estado brasileiro não pode assumir papel semelhante ao dos “benfeitores” que enviam recursos para os miseráveis da África, sob pena de amargarmos o mesmo cenário de estagnação que caracteriza certas nações do outro lado do Atlântico.

PRIMEIRAS PALAVRAS

Onde se apresenta de maneira geral as idéias e aspirações desse espaço

A triste história dos regimes autoritários e totalitários foi utilizada de maneira oportunista por aqueles que defendem a democracia como o único regime de governo legítimo. Democracia virou sinônimo de liberdade, ou melhor, certas liberdades foram qualificadas como democráticas. Qualquer outro regime de governo fora dos moldes democráticos são então vistos como ditatoriais, violentos, repressores e assassinos. O “Estado Democrático de Direito” é assim a única alternativa, fugir disso é correr o risco de ser invadido por alguma coalizão internacional e ter a democracia imposta. Flagrante despautério, mas aplaudido pelos paladinos das bandeiras democráticas.

Falta, todavia, uma certa ilustração aos que têm a democracia como o único regime possível. Primeiro, é notório que os democratas são mais felizes quando seus cordeiros – os eleitores, ditos “cidadãos” – pouco sabem sobre democracia. Cegos pela ignorância crônica são manipulados. O que pouco se diz é que a manipulação é a base principal de sustentação da democracia. Essa é a essência do regime, não sua deformação.

A massificação do processo eleitoral, princípio primordial da democracia, redundou na despersonificação dos responsáveis pela eleição daqueles alcunhados como “representantes”. Sem uma identidade os que elegem perdem força e capacidade de organização para cobrar de seus eleitos o cumprimento do papel para que foram designados: representar. Assim, aquele que se diz representante triunfa: legisla e executa por seus próprios interesses, que comumente são manter-se no poder.

A vontade de manter-se no poder – perpetuada por seus descendentes, o que significa uma verdadeira sucessão dinástica – elimina qualquer ética política. Trocas de favores, oferecimento de cargos, desvios vultosos de verbas públicas para financiar campanhas, processo legislativo direcionado para manter a ordem das coisas, são os efeitos colaterais inevitáveis da ordem democrática.

Tudo isso é cuidadosamente obnubilado por uma forte propaganda. Regimes que saiam milimetricamente do paradigma democrático são imediatamente tratados como inimigos em potencial da humanidade, a despeito de qualquer benefício superior que tragam para seus povos. Atrocidades cometidas pelo nazi-fascismo, pelos regimes soviético, cubano, coreano, chinês, os do leste europeu, e demais (mancha negra da história da humanidade) são repetidamente relacionadas com a sublimação da democracia, de modo que todos absorvam a idéia de que a queda da democracia necessariamente levará à morte de milhões de inocentes. Dentro das democracias, quando denunciados escândalos de corrupção – peste impossível de ser combatida nesse regime – os acusados são logo apontados como agentes anti-democráticos, mesmo que democraticamente eleitos, mesmo que democraticamente legislem ou executem.

Esse é um espaço contra a democracia. No decorrer de nossas manifestações procuraremos esclarecer com maior cuidado nossas colocações, apresentar alternativas e delinear as estruturas de um regime de governo efetivamente justo e ocupado com a realização das demandas urgentes de toda a sociedade. Sejam todos bem-vindos.

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