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Idas e vindas

Morei um tempo perto de duas estações de metrô. Era a época na qual eu achava ótima a idéia do rodízio de carros na cidade de São Paulo e me horrorizava quando via carros ocupados apenas por seus motoristas devidamente enfileirados nos monstruosos engarrafamentos paulistanos. “Mais amor, menos motor!” vociferava ao lado dos moderninhos e suas bikes de dois mil reais.

Até que me mudei para um bairro afastado da região central. Particularmente gostei da mudança pela tranquilidade e silêncio do condomínio fechado onde estou vivendo, mas nada é perfeito. O canto dos passarinhos pela manhã custou algo – agora moro longe de qualquer estação de metrô, num bairro feito para quem tem carros, ou seja, transporte público não é o forte da região. Ter carro aqui não é luxo, é necessidade mesmo. Não, não dá para comprar uma bike de dois mil reais para enfrentar as marginais, né?

E senti o gosto amargo de precisar escapar do rodízio. Já tenho duas multas na conta por não ter conseguido chegar ao meu destino graças ao trânsito e a falta de opção de transporte. O possante e eu, devidamente presos no trânsito barulhento e com o estresse dos radares e das canetas nervosas dos agentes da CET.

Veio a constatação: é fácil demais defender menos motor quando existe a opção de usar o metrô. Menos motor… aham… e mais metrô, certo?

É evidente que acabar com o rodízio não vai ajudar muito, o trânsito já é ruim com, imaginem sem. Mas é mais evidente ainda a ingenuidade dos doutos governantes que não sacaram que virou prática comum ter dois veículos para escapar do rodízio. Ou eles acham que é por acaso o crescimento de ofertas de vagas nos prédios novos? O rodízio pelo rodízio mais atrapalha do que facilita a vida dos cidadãos que vivem em São Paulo. A lei sem uma estrutura eficiente para sustenta-la vira um suplício para os moradores da cidade. É preciso melhorar a oferta de ônibus que respeitem seus horários, é preciso aumentar a malha ferroviária e metroviária e buscar opções alternativas de transporte rápido e com preços justos.

Uma opção que poderia ser ótima para bairros residenciais e mais afastados do centro são os bondes há muito desativados nas cidades brasileiras como principal alternativa de transporte. Em Amsterdam pude usar os excelentes, silenciosos e confortáveis “trams” – em bom tupiniquês “bonde” mesmo. Poderia ser uma boa idéia colocar esses charmosos bondes nos bairros residenciais e liga-los às estações de metrô ou terminais rodoviários. Não dá para imaginar um tram passando pela Av. Paulista, pioraria o trânsito, mas bondes chegando até o terminal da Barra Funda vindos de bairros como a Lapa, Pacaembu, Jaguará e Pirituba, ou até mesmo passando por ruas afastadas das estações de trem e conectando-as, representariam uma opção consistente para as pessoas deixarem os carros nas garagens. Eu adoraria deixar o meu paradinho, vamos considerar que os preços dos estacionamentos em Sampa estão proibitivos!

Tram de Amsterdam

Os bondes são mais simples, rápidos e baratos de implementar do que estações de metrô, que custam caro e demoram anos para serem concluídas. Outra vantagem é que são menos poluentes e os novos bondes são silenciosos e confortáveis.  Agora fica a pergunta: Por que diabos os governantes não ressuscitam de vez os saudosos bondinhos?  

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