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Bananadas tropicais

Há os indignados e há os bananas

Artigo de Clóvis Rossi

Publicado em: Janela para o Mundo

O Brasil e a Índia têm nota igualmente baixa, aliás próximas uma da outra, no IPC, o Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional, respeitada ONG que mede não a corrupção propriamente dita, porque é “imedível”, mas como ela é percebida em cada país.

A nota do Brasil, no IPC mais recente, foi 3,7; a da Índia, 3,3. Ambos os países a anos-luz da Dinamarca e seus 9,3, a primeira colocada em limpeza.

Se a percepção é parecida no Brasil e na Índia, então a reação em cada país também é parecida, certo? Errado, completamente errado. Na Índia, Anna Hazare, militante anti-corrupção, está iniciando nesta sexta-feira uma greve de fome em um parque público, acompanhado por milhares de seguidores.

No Brasil, o pessoal manda cartas indignadas para os jornais, mas não tira o traseiro da cadeira para se manifestar.

A repercussão das diferentes atitudes é inexoravelmente diferente: o movimento de Hazare está em todos os meios de comunicação de respeito no mundo todo, Brasil inclusive. Já a passividade do brasileiro ganhou uma perplexa coluna de Juan Arias, notável jornalista espanhol (um respeitado “vaticanólogo”, aliás), hoje correspondente de “El País” no Brasil.

Arias se perguntava porquê não havia no Brasil nada nem remotamente parecido com o movimento dos “indignados” que não sai das ruas da sua Espanha (sólido crítico do Vaticano, aposto que Arias, se estivesse em Madri, estaria nas ruas agora, ao lado dos que protestam contra o que consideram gastos excessivos para receber o papa Bento 16, em um momento de aperto orçamentário generalizado).

O que chama a atenção, na comparação Brasil x Índia, é o fato de que os escândalos mais recentes no gigante asiático têm pontos de contato com o noticiário brasileiro.

Há, por exemplo, fundadas suspeitas de gastos abusivos para organizar os Jogos da Commonwealth, a comunidade de países que foram colônias britânicas. No Brasil, a organização da Copa do Mundo-2014 está cercada de temores, mas ninguém, até agora, fez qualquer protesto público parecido com o da Índia.

Nesta, há também suspeitas sobre negociatas no setor de telecomunicações. No Brasil, uma empresa do ramo comprou outra, o que era proibido por lei. A empresa foi punida? Não, a lei foi modificada (no governo Lula), para permitir o negócio. Você ouviu falar de alguma manifestação a respeito?

Se você preferir outra comparação, mudemos de continente e fiquemos aqui nas imediações: os estudantes chilenos, como os indignados espanhóis, não saem das ruas, exigindo educação pública e de qualidade. Preciso dizer que, em todas as avaliações internacionais comparativas, o Brasil fica sempre nos últimos lugares? Os estudantes brasileiros se mobilizam? Sim, para exigir meia entrada nos cinemas, atitude positivamente revolucionária.

Difícil escapar à constatação de que não somos indignados e, sim, bananas.

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VOCÊS SE CALAM, ELES VENCEM (PARTE III) – MAGNO MALTA

Magno Malta

Magno Malta nasceu em Itapetinga, BA, no dia 16 de outubro de 1957. Sua carreira política, contudo, iniciou-se no Espírito Santo. Foi Vereador de Cachoeiro do Itapemirim entre 1993 e 1994, Deputado Estadual entre 1995 e 1998, Deputado Federal entre 1999 e 2003. Atualmente é Senador, eleito pelo antigo PL (Partido Liberal) e atual PR (Partido da República).[i] Formado em teologia, é pastor e cantor evangélico e faz parte da bancada evangélica do Senado. Tem ganhado bastante destaque na mídia graças ao seu trabalho de combate a pedofilia, o que é muito louvável.

Mas nem tudo são flores. Em 2006, Magno Malta foi citado no relatório da CPMI das sanguessugas, esquema de desvios de verbas pela compra de ambulâncias superfaturadas. Entre 1995 e 2009 Magno Malta teria se beneficiado por atos secretos do Senado, esquema de nomeações ilegais de “funcionários” para cargos de confiança, o mesmo escândalo que arranhou a imagem de José Sarney, mas nem chegou perto de ameaçar seu mandato e seu cargo de presidente do Senado.[ii] Em 2005, Magno Malta foi acusado de participar do desvio de verbas da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, O caso, Lineart, onde dinheiro público era mandado [desviado] para associações sem fins lucrativos, algumas inexistentes. Em 2009, Magno Malta esticou – com dinheiro público – uma viagem da Índia para Dubai, onde o excelentíssimo Senador foi fazer turismo as nossas custas.

Cidadãos do Espírito Santo, pensem duas, três vezes, antes de eleger um homem apontado em tantos escândalos de corrupção. O dinheiro que ele desvia é o mesmo que falta na saúde, na segurança pública, na educação, na infraestrutura de sua cidade! Um único ato de corrupção condena e anula um político.


[i] Informações retiradas do site do Senador: http://tinyurl.com/28az86k

[ii] Só para constar:

Senadores beneficiados por atos secretos

Aldemir Santana (DEM-DF)

Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)

Augusto Botelho (PT-RR)

Cristovam Buarque (PDT-DF)

Delcídio Amaral (PT-MS)

Demóstenes Torres (DEM-GO)

Edison Lobão (PMDB-MA)

Efraim Moraes (DEM-PB)

Epitácio Cafeteira (PTB-MA)

Fernando Collor (PTB-AL)

Geraldo Mesquita (PMDB-AC)

Gilvam Borges (PMDB-AP)

Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado (ministro)

João Tenório (PSDB-AL)

José Sarney (PMDB-AP)

Lobão Filho (PMDB-MA)

Lúcia Vania (PSDB-GO)

Magno Malta (PR-ES)

Marcelo Crivella (PRB-RJ)

Maria do Carmo (DEM-SE)

Papaléo Paes (PSDB-AP)

Pedro Simon (PMDB-RS)

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Roseana Sarney (PMDB-MA) renunciou para assumir o governo do MA

Sérgio Zambiasi (PTB-RS)

Serys Slhessarenko (PT-MT)

Valdir Raupp (PMDB-RO)licenciado (ministro)

Wellington Salgado (PMDB-MG)

Senadores que assinaram atos secretos quando integravam a Mesa Diretora da Casa

Antonio C. Valadares (PSB-SE)

César Borges (PR-BA)

Eduardo Suplicy (PT-SP)

Garibaldi Alves (PMDB-RN)

Heráclito Fortes (DEM-PI)

Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)

Paulo Paim (PT-RS)

Romeu Tuma (PTB-SP)

Tião Viana (PT-AC)

Fonte: Estado de SP (23/06/2009) – http://tinyurl.com/2fmzd8q

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