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Música para um bom domingo

Domingueira, pessoal! Esse dia me remete ao tédio. Como não gosto de passeios nos parques, ando sem paciência para salas de cinema e público mal educado e cancelei a assinatura do jornal – um dos prazeres do domingo é ler jornal, em minha opinião, e se jogar nos cadernos de cultura sem culpa – meus domingos andam mais monótonos do que campeonato de jogo da velha. Mas nem tudo estará perdido enquanto existir música.

Quem acompanha o ContraDemocracia já deve ter notado que gosto muito de música erudita. Tenho especial apreço pelos compositores do barroco alemão com destaque para H. Schütz e, óbvio, J.S. Bach. Então pensei em colocar em prática uma idéia que tilintava na minha cabeça: uma série sobre música que ajudará os leitores a conhecer o top nas paradas de sucesso erudita.

Vou começar com cinco composições para coral famosas, por hora sem muito critério além da fama mesmo. No próximo domingo teremos um especial sobre duetos. 

Verdi – Va, pensiero, sull’ali dorate

O coro dos escravos hebreus está no terceiro ato da ópera Nabuco de Giuseppe Verdi, escrita em 1842. Na época, e podemos dizer que ainda hoje numa Itália convulsionada pela crise europeia, Va, pensiero, sull’ali dorate se tornou um símbolo do nacionalismo italiano. Nacionalismos a parte, essa linda composição não é famosa por acaso. Confira e tire suas próprias conclusões!

Mozart – Lacrimosa

Lacrimosa faz parte do réquiem inacabado de Wolfgang Amadeus Mozart. Segundo consta o genial compositor certo dia ouviu alguém bater à porta de casa e quando atendeu deparou-se com um homem misterioso que pediu ao notável que ele compusesse um réquiem. O homem pagou um adiantamento e disse que voltaria dali a um mês para pegar a encomenda. Mozart, muito impressionado com o mistério da encomenda, acreditou que o homem era na verdade um enviado de Deus e que o réquiem que encomendava seria para o próprio Mozart. Então ele começou os trabalhos, e acabou que morreu antes de terminar. O discípulo dele, Franz Xaver Süssmayer, terminou o trabalho.

Handel – Hallelujah

Essa é famosíssima, uma composição de Georg Friedrich Händel para o oratório Messiah composto em 1741. Faz muito parte da cultura popular! Já cansei de ouvir alguém cantarolar “haaallelujah, haaaallelujah” quando algo que era esperado finalmente acontece. O moleque que foi reprovado 3 vezes no vestibular finalmente passa e a família, em enorme deleite e regozijo, canta alegremente “hallelujah, hallejujah”! É isso, agora vocês sabem de onde esse costume veio.

Bach – Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen

Dizem que é impossível não acreditar em Deus depois de ouvir Bach, e diria que especialmente sua Paixão Segundo São Matheus. Não sei se esse coral é tão famoso assim para o público totalmente alheio à música erudita, mas para conhecedores básicos – como eu – a Paixão Segundo São Matheus é muito famosa. Eu não iria colocar nessa lista justamente por não ser uma composição tão “pop”, mas não resisti! Sério, escute! 

Há um comentário do Youtube para esse vídeo que eu faço questão de traduzir caso você ainda não tenha se convencido de que J.S. Bach foi um presente para a civilização:

Nesses dias de economia mundial turbulenta, corrupção, guerra e fome não restou muita dignidade. Por sete minutos e meio alguém pode colocar isso de lado e esquecer todas essas preocupações para revelar a supremacia que Johann [Sebastian] Bach trouxe para esse mundo com sua música – A Paixão de São Matheus” (do(a) usuário(a) GeoGis13)

Já escutou? Ok! 

Puccini – Coro a bocca chiusa

Esse coro fecha o segundo ato da mega famosa ópera Madame Butterfly de Giacomo Puccini. É aquela música que soa sempre familiar, sabe? Melancólica e doce, como toda espera. Ops… nada de divagar.

Bônus

 A ópera Madame Butterfly representou um papel importante para o começo de minha paixão por música erudita. Atualmente não escuto mais muitas óperas, mas respeito o gênero que me levou a querer saber mais e escutar desesperadamente aquelas músicas lindas que eu ouvia na rádio MEC quando era uma moleca moradora da periferia do Rio de Janeiro. Uma das árias (na época eu nem sabia o que era uma “ária”) que me deixou petrificada foi “Un bel dì vedremo” justamente da Madame Butterfly. Então lá vai, e na voz de Maria Callas:

Música que você adora e não sabe

Eu fico realmente maravilhada quando ouço “eu odeio música clássica”. Penso comigo mesma “Ah, você não gosta do Mozart! E do Bach?”. Brincadeiras a parte, eu não vivo sem Música Erudita, não sou uma profunda conhecedora, mas procuro pesquisar e aprender cada vez mais, infelizmente as publicações de qualidade sobre Música Erudita costumam custar caro… bom, mas o cenário não é tão catastrófico! Pelo menos aqui em São Paulo é possível ouvir muita coisa legal por preços amigáveis. Há pouco assisti a ópera Norma no teatro São Pedro por módicos vinte reais e a montagem foi bem interessante. Sim, estamos longe da programação dos teatros europeus, mas estamos melhor do que há dez anos.

Mas vamos ao ponto. O fato é que muitas das pessoas que dizem “eu odeio música clássica” são motivadas por puro preconceito, já que na maior parte das vezes nunca colocou uma ária para tocar em seus MP3 (ou MP sei lá o que). Pois bem, muito embora nunca fizeram isso, certamente já ouviram algo erudito em filmes, desenhos animados ou qualquer outro treco da “cultura pop” e provavelmente gostaram de algo. Gostaram, perguntaram para alguém se conhecia aquela música super legal que tocou, muitas vezes não obtiveram respostas e ficaram na curiosidade.

Diante disso, resolvi selecionar algumas dessas músicas super legais e recorrentes na “cultura pop” e divulga-las aqui no blog, espero assim que se você é um dos que “odeia música clássica”, mas encontrou aqui uma que gosta bastante, se sinta tentada ou tentado a ouvir mais e superar esse preconceito idiota (#prontofalei).

Comecemos pela mais famosa: tocada em filmes, séries, programas sensacionalistas de auditório etc. Falo de O Fortuna. Não captou? Então veja esse trecho do filme Excalibur de 1981:

Viu? Pois bem, trata-se de O Fortuna, primeiro movimento da cantata Carmina Burana de Carl Orff, composta entre 1935 e 1936. Mas a história é mais interessante, pessoa! Sabe o que é Carmina Burana? Pois bem, é o conjunto de 254 poemas e textos escritos entre os séculos XI e XIII reunidos no manuscrito Codex Latinus Monacensis. Muitos desses textos, produzidos quase todos em latim, foram compostos pelos Goliardos, estudantes clericais autores de muitos escritos que satirizavam a Igreja. Carl Orff selecionou alguns desses poemas e compôs a cantata já citada. Então, com as senhoras e os senhores, o prólogo da cantata de Orff – Fortuna Imperatrix Mundi devidamente e anonimamente legendado por alguém esperto que traduziu direto do latim medieval para a última flor do Lácio.

A tradução está legal. Eu mudaria o início para “Ó fortuna/ Como a Lua / És mutável”, no mais penso que o sentido foi preservado. E mais uma coisa, entenda fortuna como sorte ou azar, como Roda da Fortuna, não como você aprendeu com o Tio Patinhas 😀

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