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Um herói de araque

Minha história em quadrinhos favorita é Sandman de Neil Gaiman. Me fascina as referências nas entrelinhas, as histórias protagonizadas por alegorias de nossos medos e sentimentos mais profundos e o texto sombrio, mas não pessimista, de Gaiman. Morte, a “personagem” mais carismática da série, povoa até hoje a minha imaginação. Mas não é sobre Sandman que eu gostaria de falar, tampouco de quadrinho, embora uma frase simplória do tio de um super herói que eu não gosto me inspire hoje: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” do tio do Peter Parker, ou homem-aranha.

O Brasil inevitavelmente representará cada vez mais um papel de destaque na política mundial. Além do crescimento de nossa nação, pesa a nosso favor a relevância que desempenhamos na América do Sul. Já disse, e reitero, que me agrada uma posição de liderança do Brasil. Somos uma nação vigorosa e pacífica, com bom senso temos muito a contribuir com a humanidade.

É justamente por isso que a posição da diplomacia brasileira sob o governo Lula é preocupante. Lula, em seus delírios egocêntricos, em sua preocupação egoísta de ser ele, não o Brasil, um ator de destaque no cenário internacional, está colocando na berlinda a capacidade brasileira de assumir com responsabilidade o papel político no cenário mundial que se abre para nós.

O namorico de Lula com regimes autoritários sul americanos há tempos vem despertando as desconfianças dos países consolidados como relevantes na política internacional. Vem despertando também a desconfiança de setores da sociedade brasileira e sul americana comprometidos com valores cruciais para a eficiência de um Estado: liberdade de expressão, liberdade ideológica, liberdade econômica e eficiência e equilíbrio entre os três poderes. Lula, ao legitimar os regimes de Castro e Chávez, ao interferir nos assuntos internos de Honduras e prejudicar o processo de pacificação do país, ameaça ao mesmo tempo a estabilidade da América do Sul e a contribuição que o Brasil pode oferecer a região enquanto mediador e promotor do crescimento dos países do Sul.

Fora do cenário sul americano, vemos a diplomacia brasileira cometer os mais dantescos equívocos. Na ONU nossa delegação manteve silêncio absoluto nas reuniões dedicadas a discussão das violações dos direitos humanos em países como Irã, Cuba e Mianmar, este último, prestes a receber uma embaixada brasileira. No Oriente Médio, onde nosso presidente está agora, observamos estarrecidos o representante de nosso país se recusar a contribuir com as sanções ao Irã, país que trabalha na produção da bomba atômica e, dessa forma, desrespeita o tratado de não-proliferação de armas nucleares, tratado este que o Brasil é signatário! Lula, na sua campanha desastrada de auto-promoção, está prejudicando nosso país e contribuindo com o acirramento de tensões internacionais. As conseqüências, caríssimos, podem ser nefastas.

Sim, o Brasil cada vez mais se destaca no Mundo, mas Lula e o PT já provaram que não possuem a responsabilidade para lidar com esse poder.

Ditadores

CINISMO POUCO É BOBAGEM

Depois do desconforto na comitiva brasileira na ocasião da visita de Lula à Cuba – que chegou à ilha um dia depois da morte do dissidente Orlando Zapata – nosso ministro das relações exteriores, Celso Amorim, em respostas às críticas ao apoio de Lula ao governo assassino dos irmãos Castro, disse que o Brasil não precisa apoiar todos os dissidentes do mundo. Concordo, mas o Brasil também não deve apoiar regimes ditatoriais que assassinam opositores.

Um dos argumentos utilizados por Lula e Amorim é a política de não-intervenção tradicionalmente adotada por nossa política externa. Mas e no caso de Honduras? Se aquilo não foi intervenção eu sou um elefante roxo… nunca antes na história desse país se viu um governo tão hipócrita!

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